null: nullpx
rita lee-Zappeando

Rita Lee desejava "envelhecer como feiticeira" e conseguiu: nunca temeu a passagem do tempo

Cantora afirmava que, ao envelhecer, a mulher "ganha poderes" e se torna mais sensível às sutilezas da vida
Publicado 9 Mai 2023 – 12:39 PM EDT | Atualizado 10 Mai 2023 – 11:24 AM EDT
Compartilhar
Default image alt
Rita Lee Crédito: @ritalee_oficial/Instagram

Exemplo de força, irreverência e quebra de padrões, a cantora Rita Lee trilhou sua vida sem qualquer medo de envelhecer. Quando falava sobre a passagem do tempo, sempre o citava como um aliado, não inimigo - e até morrer, aos 75 anos de idade em 2023, envelheceu como queria: seguindo o “caminho das feiticeiras”, como costumava dizer.

Rita Lee nunca teve medo de envelhecer: almejava o "caminho das feiticeiras"


Ao longo de 50 anos, a cantora Rita Lee preencheu a vida de muitos com suas canções, se consagrou como a Rainha do Rock, viveu uma linda história de amor e construiu uma família tão talentosa quanto ela, mas seu legado vai ainda além da carreira e das conquistas pessoais.

Durante os 75 anos que viveu, a cantora nunca escondeu seus questionamentos, não tinha medo de desafiar ou transgredir - e, acima de tudo, quebrou uma série de padrões ao repetir durante todas as fases da vida que não tinha medo de envelhecer.


Após os 40 anos de idade, quando começou a ser questionada sobre o assunto, a cantora deu uma de suas mais famosas declarações sobre o envelhecimento. Em uma entrevista, afirmou crer que há duas formas de envelhecer: como uma “feiticeira” ou como uma “perua”.

“Ou você segue o caminho das peruas, ou das feiticeiras. As peruas perseguem a fonte da juventude e o grande inimigo delas é o tempo. Já as feiticeiras, o maior aliado delas é o tempo”, diz a cantora, que voltou a citar a vontade de envelhecer da segunda forma em diversos outros momentos.


Durante uma entrevista à atriz Bruna Lombardi, por exemplo, ela afirmou: “Agora é a hora de ter acesso ao arquivo das feiticeiras. Você só tem isso depois dos 40, e aos 45 anos é outro tipo de arquivo. Aí é que está: não há em que ficar procurando plástica nessa coisa. A fonte da juventude não está aí, está no belo da mulher feiticeira, aquela índia velha serena que sabe de tudo. É isso que eu quero, [...] é a feiticeira que me interessa”.

Em 2020, já com 73 anos, Rita Lee mostrou que a passagem do tempo não mudou sua opinião sobre o envelhecimento. Ainda sem intervenções estéticas - e agora sem sequer colorir os cabelos grisalhos - , ela voltou a enfatizar a beleza que via na passagem do tempo, exaltando tudo o que conquistou e a forma como suas prioridades mudaram com o passar dos anos.


“Tive uma vida maravilhosa, tive sorte de ter nascido na família em que nasci, sorte de ter trabalhado com música durante 50 anos, alegrado as pessoas, isso é uma loucura! Ter encontrado o Roberto [de Carvalho], ter tido três filhos maravilhosos, agora dois netos. Essa coisa de envelhecer é uma feitiçaria feminina, assim como a menstruação. O envelhecimento, para a mulher, é muito louco”, disse ela ao “Saia Justa” (GNT), citando as maravilhas de envelhecer.

“A gente fica com poderes, a gente fica mais atenta à sutileza do invisível, do espiritual falando com você. Nessa balbúrdia que está o mundo, você mal escuta a sutileza do sopro do anjo, da luz… Quando jovem, você tem aquele vulcão em erupção, fazendo música, trepando. Quando o vulcão do velho entra em erupção, a minha velha ficou com vontade de ler mais, de aprender, de pintar… Você troca a libido pela ‘mortido’ - e no bom sentido! Você não quer mais trepar, já trepou a vida inteira! Quero coisas que eu não sei. ”, disse a cantora, para quem até a mudança dos cabelos traz misticismo.

"E, de repente, estou eu aqui: velha, cabelo branco, branquinho! Fui loura, depois fui ensolarada, vermelha, e agora estou lunar!", comentou na mesma entrevista.


Durante os últimos anos de vida, Rita Lee viveu com o marido, Roberto de Carvalho, em um sítio no interior de São Paulo, e seguiu envelhecendo “como uma feiticeira”. Em 2021, ao ser diagnosticada com câncer no pulmão, ela encarou a situação com leveza e bom-humor, se desfazendo com tranquilidade dos cabelos e mostrando a aparência real nas redes.

E após a morte de Rita Lee, em 8 de maio de 2023, ficou claro como ela realmente envelheceu “com poderes”, como gostaria. Em meio às homenagens, fãs resgataram um trecho da primeira biografia da cantora, lançada em 2016, em que ela “previu” a reação de todos à sua morte - e, com isso, sem sequer saber, acabou alegrando o momento tão difícil para quem a admira. “Não consigo parar de chorar, daí leio isso... Ela era tão maravilhosa que faz a gente rir mesmo chorando”, disse uma fã de Rita Lee no Twitter.

Rita Lee: história, carreira e mais

Compartilhar

Mais conteúdo de interesse