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Amaury Lorenzo negou convites para novelas por décadas: "TV chegou depois, mas na hora certa"

Em entrevista exclusiva, o ator contou o que aprendeu com "Terra e Paixão" e deixou claro: mais novelas virão
Publicado 1 Fev 2024 – 04:17 PM EST | Atualizado 1 Fev 2024 – 04:17 PM EST
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Amaury Lorenzo fala a Zappeando sobre carreira, "Terra e Paixão", planos futuros e mais Crédito: Gentileza de Carol Montemór (@montemorfotografia)

Fixado na mente e no coração do público como o dúbio Ramiro de "Terra e Paixão" (Rede Globo), Amaury Lorenzo conquistou facilmente os espectadores, bem como uma legião de fãs apaixonados. Com isso, muitos nem imaginam, mas ele nem sempre quis fazer novelas.

Dono de uma carreira com mais de 25 anos que começou na dança, ele não via televisão como possibilidade - e, ao receber Zappeando no local que enxerga como casa desde os 15 anos de idade, o palco, contou ter mudado de ideia sobre isso com Ramiro, que o fez criar gosto por novelas e colocá-las, inclusive, em seus planos futuros.

Amaury Lorenzo relembra início da carreira: é bailarino desde os 15


Ainda colhendo frutos do sucesso que fez em “Terra e Paixão” - e surpreendentemente humilde com relação a isso -, Amaury Lorenzo, em cartaz com o espetáculo “A Luta”, recebeu Zappeando de maneira especial.


Antes de apresentar o monólogo inspirado em “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, ele fez questão de dar a entrevista em cima do palco, local que começou a frequentar ainda na infância e nunca pretende deixar de chamar de “lar”.

Atualmente com 39 anos, Amaury Lorenzo começou a carreira cedo, e conta que o ponto de partida dela foi um filme assistido na infância - e do qual ele não lembra o nome.

"Eu estava vendo 'Sessão da Tarde', tinha oito anos, vi um filme do qual até hoje não me lembro e era de patinação. Tinha um cara que patinava, levantava a mulher. Meu pai e minha mãe chegaram e eu falei: 'Pai, vi um cara fazendo isso e queria fazer'. Ele falou: 'Isso é dança, amanhã vamos em uma escola'", conta.


Segundo o intérprete de Ramiro, ele viveu então algo incomum para a época e para a realidade da família. Apesar das dificuldades, os pais de Amaury apoiaram seu sonho desde sempre, o que o levou a se profissionalizar muito cedo.

"Minha mãe era dona de casa e meu pai caminhoneiro, somos do interior de Minas Gerais, de uma cidade com 40 mil habitantes. Depois, fui descobrir que meu pai queria ser músico. Como ele não pôde seguir nas artes, me levou. Fui para uma escola de dança e no primeiro ano a professora já disse: 'Tem que investir'", relembra.

Convites de novela chegaram cedo, mas foram rejeitados


Com 15 anos de idade, ele se formou como bailarino, fez aulas complementares de teatro e já começou a trabalhar com arte. "Quase que não terminei a universidade porque era convidado a fazer peças", disse ele, frisando que, já na época, foi convocado para papéis na televisão, mas os rejeitou.


"Eu tinha aquela bobagem de: 'Sou um ator de teatro'. Bobagem! Fui me dedicando muito ao teatro como professor, diretor, coreógrafo… Fui nesse caminho e a televisão chegou um pouco depois, mas sou muito feliz que tenha chegado aos 38 anos. Estou mais maduro, pé no chão. Chegou no momento certo", declara o ator, que viu muito além da vida profissional mudar após “conhecer” Ramiro.

Passado, Ramiro, presente e futuro


Sobre a experiência com seu primeiro papel grande em uma novela, Amaury é só elogios ao ex-matador que se transformou em um homem amável e amado, terapeutizado e casado com o grande amor de sua vida, Kelvin (Diego Martins).

Segundo Amaury, o personagem lhe foi encomendado “cru”, e ele aproveitou a tela em branco para seguir dando aulas - mas desta vez diante das câmeras e sobre amor em vez de teatro, como era acostumado até então.


“Fui trazendo um pouco de humor, um pouco de afeto para humanizar esse homem. Conversei muito com a direção sobre o Ramiro ser esse matador, esse assassino brutal, sangue nos olhos… Mas os brutos também amam! Então fui dando pitadas disso”, afirma, explicando que aprendeu algo muito especial com o personagem.

"O Ramiro me ensinou a amar muito mais do que eu já amava. Em um minuto e trinta de novela, ele mata com sangue nos olhos, brutal. É a primeira imagem dele. Na última cena, ele se casa com outro homem. Isso é um ensinamento de amor muito poderoso", diz ele, comentando a paixão do público pelo personagem mesmo após tantos crimes.

"Não é que o público se identifica com as malvadezas, com a vilania. O público se identifica porque percebe que aquele homem não faz o que faz porque quer, mas porque foi treinado. É o meio em que ele cresceu, é a única coisa que ele tem para fazer. Tem de botar comida na mesa. O público se identifica com esse homem. Ele me ensina, nessa trajetória, como o amor transforma", refletiu.


Ainda comentando a repercussão de Ramiro junto ao público, Amaury se emocionou ao provar, com relatos de fãs, que o amor de Ramiro e Kelvin transformou mais pessoas além dele na vida real. Segundo o ator, ele recebe diariamente uma enxurrada de relatos de pessoas LGBTQIA+ que passaram a ter uma convivência melhor com a família graças ao romance alegre e delicado do casal Kelmiro.

"Um menino falou: 'Amaury, minha mãe me expulsou de casa, mas virou fã do Ramiro e me ligou falando: 'Volta para casa, meu Kevinho, a mãe te ama'", narra o ator, orgulhoso em contribuir com a luta LGBTQIA+, algo tão pessoal para ele. "Eu e Diego somos canal para tudo isso", pontua.

Apesar de já ter negado novelas um dia, Amaury agora pensa em fazer outros folhetins, e afirma que já existe mais um projeto de televisão no horizonte - tudo graças a Ramiro, a quem trata como um irmão que gostaria de tomar nos braços e ninar. Além disso, ele também adianta que há planos relacionados ao cinema.


Ao mesmo tempo em que olha de forma esperançosa para o futuro, Amaury lembra que o momento atual é fruto de muitas batalhas - e que os trabalhos que tem pela frente também serão.

Exausto após um ano intercalando gravações de segunda a sábado no Rio de Janeiro com sessões da peça aos domingos pelo Brasil, o ator não tira o sorriso do rosto em nenhum momento, e segue com as emoções alheias na palma da mão mesmo fora das telinhas, fazendo os presentes lacrimejarem com uma declaração a si mesmo de 25 anos atrás.

"Eu diria: nego velho, não desiste. Vai ser difícil para caramba. Vai ter horas que você não vai ter o que comer, que você vai ser despejado. Vai ter horas que vão falar coisas muito feias e ruins de você. Prepare seu coração, sua alma. Você vai perder pessoas, vai comprar brigas poderosas. Mas, Amaury, apesar disso, você vai viver tanta gente linda, vai transformar histórias, vai se transformar, se apaixonar. Vai valer a pena!", conclui.

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