7 motivos que fazem Hopper, de “Vida de Inseto”, ser o pior vilão da Disney

por | maio 24, 2017 | Filmes

Em uma fauna vilanesca tão vasta quanto é a da Disney e a da Pixar, é de se admirar que o pior de todos seja um gafanhoto. Esqueça o leão usurpador, o vizinho que desmonta brinquedos, rainhas más ou super-vilões vingativos: Hopper é um ditador agressivo, machista e nada vaidoso que tem como motivação reprimir um formigueiro inteiro.

7 razões para Hopper ser o pior vilão dos desenhos

É dublado por Kevin Spacey, o vilão dos vilões

Muito antes de o ator aterrorizar Washington no seu papel em “House of Cards”, Spacey fez a voz de Hopper no desenho de 1998. A versão em português não fica por menos já que o experiente dublador Márcio Simões foi escalado para o papel. Não foi a primeira vez que um grande ator dublou um vilão dos desenhos da Disney ou Pixar. Scar, de “Rei Leão”, tem a voz de Jeremy Irons e Steve Buscemi dublou Randall em “Monstros S.A.”.

Mas ser dublado pelo vencedor do Oscar e um dos grandes vilões do cinema ficou para o Hopper mesmo. E olha que Spacey nem era a primeira opção. Se dependesse do diretor do desenho, John Lasseter teria chamado ninguém menos que Robert De Niro, que recusou o papel algumas vezes. O diretor conheceu Kevin Spacey na cerimônia do Oscar de 1996 e fez o convite ali mesmo, que foi aceito na hora.

É um ditador

Na época do lançamento do filme, a crítica da revista americana Entertainment Weekly comparou Hopper a Darth Vader. E não é por menos, os dois são grandes ditadores da cultura pop. Se você pegar como exemplo o que ocorreu na ditadura no Brasil quanto à censura do direito de expressão em forma de arte, dá para ter uma noção das ações do gafanhoto.

As formigas ali vivem para trabalhar, sem nenhum tipo de distração ou ócio. Quando Flick, o protagonista, sai em busca de ajuda de outros insetos, acaba encontrando uma trupe de circo que ele pensa serem guerreiros. Percebeu a mensagem bonita? É como se o filme quisesse passar a ideia de que a arte ajuda a acabar com ditaduras, já que é tão perseguida por esses regimes.

Maior motivação é reprimir

Se você pegar outros vilões do universo Disney/Pixar para analisar, a maioria é movida por vingança (Síndrome de “Os Incríveis”), inveja (Scar de “Rei Leão”, Randall de “Monstros S. A.” e Chef Skinner de “Ratatouille”) ou ideias obsessivas (Cruella de Vil de “101 Dálmatas” e Charles Muntz de “Up – Altas Aventuras”).

O único motivo de Hopper agir do seu jeito é a manutenção do poder. E ele deixa isso bem claro quando fala que sua vontade “não é por causa do rango, é para manter as formigas na linha”. Nesse momento, aliás, ele mostra como reprime seu próprio grupo de gafanhotos.

Acha ideias perigosas

Por mais de uma vez no filme, Hopper deixa claro que é contra as formigas terem seu próprio pensamento. Ele sabe que está em desvantagem numérica e que seu poder vem da força, então inibe que as formigas tracem seus planos, impondo medo a isso. Flick funciona como um contraponto, tendo a frase “tive uma ideia” quase como um bordão.

Mataria o próprio irmão

Hopper se mostra extremamente agressivo e por algumas vezes descontrolado – ou até mesmo “chiliquento”. Num desses momentos, ameaça o próprio irmão, o simpático alívio cômico Molt, e o faz recordar que “se não fosse a promessa que fez à mamãe”, mataria ele ali mesmo. O gafanhoto deve ter estudado na escola de vilões do professor Scar, outro fratricida dos desenhos.

Hopper deixa explícito seu machismo

Como a Rainha e a Princesa Ata se preocupam com a sobrevivência do formigueiro, Hopper usa a figura delas para impor medo em todas as formigas. Ele subjuga as duas, impondo sua força militar, colocando medo nelas e ameaçando a matriarca – seu plano final era matar a Rainha como punição e exemplo às outras formigas.

Outro trecho que mostra como ele se sente superior à Ata é quando se nega a falar com ela por não ser rainha ainda – e, de quebra, acha que pode dar uma lição de moral na princesa.

Tem a pior morte

A gente precisa entender que as mortes nos desenhos infantis servem como punição à maldade. É para fechar o ciclo do vilão e mostrar às crianças que, no fim, há um castigo pelos atos ruins de cada um. Então, a punição precisa ser equivalente ao nível da maldade apresentada.

Pegue Charles Muntz, de “Up – Altas Aventuras”, como exemplo. Ele é um vilão obcecado em capturar a ave rara, mas não chega a ser maléfico, é “só” uma obsessão (bastante) doentia. Em um acesso de raiva, acaba estourando os balões que está pendurado e despenca no precipício. É como se sua própria maldade o matasse.

Hopper é diferente. Ele oprime e maltrata as formigas porque quer manter sua relação de poder com o formigueiro. Então sua morte precisa fazer jus à punição merecida e, por isso, seu pior medo o devora: um pássaro. Um não, a ave captura Hopper pelo bico e o entrega para seus três filhotes o devorarem. Você não acredita que três passarinhos famintos seriam muito respeitosos para se alimentarem, não é? É difícil imaginar, mas é provável que Hopper tenha sido estraçalhado pelo seu maior pesadelo.

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