Cauã saiu em defesa de Vera Fischer quando disseram que ela estava “irreconhecível”

por | jun 30, 2016 | Entretenimento

Globo

O ator Cauã Reymond nos fez aplaudí-lo de pé em um episódio do passado que, de tão louvável, nos marca até hoje.

Tudo aconteceu em novembro de 2015, quando o jornal carioca “O Dia” publicou uma foto da atriz Vera Fischer sem maquiagem e vestida de forma casual ao embarcar no aeroporto do Rio de Janeiro.

Ao lado da imagem, colocaram uma foto mais antiga e bem produzida. “Irreconhecível”, dizia a chamada que gerou polêmica e deixou muita gente revoltada, como se fosse um absurdo a atriz ter envelhecido.

Vera Fischer envelheceu e foi criticada por jornal

A imagem acima reproduz a chamada da época, que mostra exatamente a forma como foi noticiada a foto.

Vendo o absurdo, Cauã publicou em seu Facebook o texto escrito pela jornalista Cora Ronai, dizendo ser um “grande texto”.

Em seguida, editou e acrescentou que se tratava de um grande texto sobre a “pobreza de espírito reinante”, mostrando indignação com a matéria publicada pelo veículo.

No texto de Cora, ela questiona o fato de o envelhecimento, natural para todos, ser colocado com um algo de errado no caso de Vera Fisher. “Grande texto da Cora Ronai sobre a pobreza de espírito reinante”, disse ele.

A publicação do ator bombou na internet e teve quase 8 mil compartilhamentos e mais de 100 mil curtidas em poucas horas.

Leia na íntegra:

“Desde ontem vejo essa montagem circulando pela internet. Sinceramente? As pessoas estão perdendo a noção de tudo: de civilidade, de bom senso, de educação e até da própria língua (se a Vera estava “irreconhecível” como foi reconhecida pelas pessoas que a abordaram para selfies?).

Sim, Vera Fischer envelheceu. E daí? Não envelhecemos todos, na melhor das hipóteses? Não estamos todas — e todos — mais cheios de corpo e de rugas, um tanto mais gastos com o passar dos anos?

Assim é a natureza dos seres vivos: o tempo deixa as suas marcas.

Não há nada de errado com a foto da direita — exceto o fato de estar sendo exibida junto à da esquerda. Numa se vê uma mulher no auge da beleza fotografada numa luz generosa, na outra uma senhora de 63 anos num flagrante feito de qualquer maneira.

Gostaria muito de desafiar a pessoa que achou que essa montagem é relevante sob qualquer aspecto a se submeter ao mesmo tratamento.

Ando cheia dessa cultura de celebridades, dessas não-notícias que não querem dizer nada, desse bullying constante de pessoas que a fama impede de viver como seres humanos normais, com direito a dias melhores e dias piores.

Ando cheia dessa cultura hipócrita que tem como únicos valores a juventude e a beleza, e que quando abre uma exceção para uma pessoa de mais idade — como frequentemente faz com minha Mãe — faz questão de ressaltar a sua “juventude”. Como se a juventude fosse a soma de todas as virtudes, e a velhice uma moléstia horrenda, que devemos evitar a todo custo.

Ando cheia — CHEIA!!! — disso tudo, e de mais um monte de coisas que não dá nem para começar a enumerar.

Mas, por enquanto, vamos combinar uma coisa?

Vamos deixar a Vera Fischer em paz, porra!

E vamos deixar de ter preconceito contra a velhice, até porque, de todos os preconceitos idiotas, este é o mais idiota de todos: mais dia menos dia vamos todos, homens e mulheres, negros, brancos, pardos, azuis e amarelos, envelhecer.

Isso é, se tivermos sorte.”

Envelhecimento